torre de parasitologia: coccidiose em canario

Posted on August 18th, 2009 by by Paulo

O canário já nos acompanha há séculos com seu canto doce, sua aparência meiga e convivência agradável. No entanto, uma ‘entidade oculta’ acompanha também há séculos nossos queridos canários: os coccidios. No caso dos canários, os coccidios encontrados são do gênero Isospora (produzem oocistos com dois ‘esporos’) e são conhecidas somente duas espécies até o momento, habitando o epitélio intestinal das aves, onde também se reproduzem. O parasitismo por Isospora provoca sintomas muito diversos: falta de ar, diarréia, falta de apetite e até morte. A grande variedade de sintomas faz com que a doença seja confundida com outras enfermidades como pneumonia, desnutrição, diarréia bacteriana, fungos, etc. Mas como pode um parasita intestinal causar sintomas de pneumonia na ave? Descobriu-se que os protozoários parasitas saem do intestino e circulam na corrente sangüínea da ave até atingirem os pulmões e fígado do hospedeiro. Uma vez tendo o parasita se instalado, a ave é acometida de doença crônica, que pode perdurar por muitos meses. Aves adultas em boas condições de saúde reagem à infecção, normalmente sobrevivendo. Os filhotes porém, apresentam altas taxas de mortalidade. Pelo fato da morte ocorrer após o aparecimento de sintomas respiratórios, os criadores atribuem a doença a algum fungo ou pneumonia. Mas mesmo em indivíduos adultos as taxas de mortalidade parecem variar muito de raça para raça ou até mesmo, entre sexos. Alguns criadores relatam taxas de mortalidade de até 50% entre filhotes nos ninhos, ocasionando, portanto, danos significativos no plantel. Embora o tratamento seja complicado, a droga toltrazuril tem apresentado bons resultados no combate dos parasitas. Algumas medidas de prevenção também apresentam bons resultados: boa higiene das gaiolas e viveiros, exposição das gaiolas e aves ao sol, evitar superlotação nos recintos, etc. Embora o parasita seja importante nas criações de canário, não oferece perigo para outras espécies de aves, por ser específico de canários.

Torre de avicultura: o canário-do-reino

Posted on August 18th, 2009 by by Paulo

Embora o periquito-australiano pareça ser a ave de estimação mais difundida do mundo, no Brasil é o canário-do-reino (Serinus canarius) que atrai o maior número de criadores e admiradores.  Principal estrela da constelação das aves domésticas, que brilha nas gaiolas por todo o país. E brilha em muitas cores: amarelo, vermelho, marrom, bronze, cinza, branco… Mas o que mais chama  a atenção é seu canto mavioso. Conquistou até os primeiros conquistadores de Espanha, que visitaram as ilhas Canárias, dái seu nome. Na Europa continental do século XVI e XVII só os homens mais opulentos poderiam se dar ao luxo de manter uma ave dessas em sua casa. A criação era mantida por monges e somente os machos eram comercializados, ficando as matrizes fêmeas muito bem guardadas nos monastérios, fazendo com que os monges detivessem um monopólio sobre as aves. No entanto, no final do século XVII um monastério foi invadido e as fêmeas do canário roubadas, encerrando assim o monopólio da igreja sobre a criação de canários. Em poucas décadas a espécie se espalhou pela Europa, assumindo dezenas de novas formas, raças, cores e variedades, originadas de cruzamentos com outras espécies afins e mutações. Devido aos muitos cruzamentos e seleção artificial é razoável afirmar que o canário presente nas gaiolas já não mais corresponde ao ‘canário’ que ocorre nas ilhas Canárias, poder-se-ia afirmar pois, que se tratam de espécies diferentes. Poder-se-ia mesmo considerar as diferentes linhagens de canário como sendo espécies diferentes entre si, espécies artificiais.

Torre de Filosofia: Nietzsche, o Anticristo

Posted on August 16th, 2009 by by Paulo

Por ocasião do término da leitura de ‘O Anticristo’ (Der Antichrist) refleti um pouco sobre as idéias ali contidas. Mesmo numa leitura pouco atenta é possível notar facilmente o principal objetivo do autor: combater o cristianismo. E tal função é executada de forma agressiva. O ataque ao cristianismo executado por Nietzsche pretende não só combatê-lo, mas também zombar dele, desmoralizá-lo. E este processo se dá pela contraposição do cristianismo aos aspectos mais naturais, até fisiológicos da vida. Para Nietzsche, o cristianismo é a religião que tem como principal objetivo combater toda a coisa natural, pois transforma em pecado necessidades e prazeres da vida. O texto do filósofo deixa transparecer sua idéia da doutrina cristã como um constructus. Devo discordar. Creio ter toda religião vida própria. Digamos que a religião evolui, não é construída. Ela muda ao longo do tempo, se adaptando a novos ambientes, isso é, a cabeça das pessoas. E, para Nietzsche, o grande vilão e arquiteto dessa doutrina cristã construída para deteriorar o homem é Paulo. Com Paulo, o cristianismo original foi alterado e desfigurado até se tornar a religião que se conhece hoje. Outro aspecto interessante da leitura do texto é notar que o filósofo conhece a teoria da evolução, embora em nenhum momento cite Darwin. Mas conhece a teoria de forma suavemente equivocada. Para Nietzsche, ‘evoluir’ é sinônimo de ‘melhorar’, ‘tornar-se mais forte’. Engana-se. A teoria da evolução, tal como postulada por Darwin significa ‘mudar’, ‘adaptar-se’, o que não significa necessariamente tornar-se ‘melhor’ ou ‘mais forte’. Equívocos à parte, ele tem razão, pois atribui o filósofo ao cristianismo a seleção do ‘mais fraco’, de indivíduos ‘fracos’, ‘ineptos’, ‘inferiores’, pois prega uma ‘igualdade’ ilusória entre os homens e ajuda e favorece os mais pobres (inferiores) e condena o que haveria de mais nobre no ‘homem’, como a bravura, a razão, a cultura indo-européia. No final, tenta Nietzsche resgatar o que ele chama de cultura ‘ariana’, representada pela sociedade indiana e seu código de Manu. Embora o autor use o termo ‘ariano’, eu preferiria ‘indo-europeu’. Não indo-europeu só como grupo lingüístico, mas como conjunto de religiões (politeístas), linguas e culturas afins, aparentadas. O cristianismo não é natural do homem indo-europeu, mas uma seita dissidente do judaísmo semita. Por esse motivo precisa ser combatida… E pode-se dizer, neste caso,  que ninguém dá mais valor à sua obra, do que o próprio autor. Pois empresta Nietzsche a seu livro o tom profético e expõe sem pudores sua arrogância, sua ausência total de modéstia, se auto-entitulando o próprio Anticristo, o que torna sua obra ainda mais interessante, na minha opinião. Nietzsche foi, acima de tudo, um homem de coragem. Abaixo ao cristianismo! Celebremos a cultura indo-européia!

Torre de lingüística: Latim

Posted on July 13th, 2009 by by Paulo

O latim no mundo contemporâneo

             Embora a língua oficial do império romano tenha se extingüido como língua viva junto com ele na tomada de Roma pelos bárbaros, a língua latina sobreviveu ainda por muitos séculos sob as formas litúrgica, literária, científica e outras. Mas o rumo da história aplicou golpes duros nesse latim artificial: a ascensão do francês e depois do inglês como línguas internacionais e científicas fez com que o velho e complicado latim, com todas suas declinações e conjugações, fosse colocado de lado já no século XIX. No século XX, outro golpe duro: o Concílio Vaticano II substituiu o latim por línguas nacionais nos ritos católicos, praticamente eliminando o último grande reduto do idioma de César, já contaminado pela pronúncia do italiano moderno. Mas após os golpes sofridos, em pleno século XXI, a língua experimenta um lento e curioso renascimento, não em altos círculos acadêmicos, mas em jogos de vídeo game japoneses. Um famoso exemplo disso é umas das obras-primas de Hironobu Sakaguchi: Final Fantasy VIII, no qual o latim aparece cantado e escrito. Mas nem tudo são flores: o latim empregado no jogo japonês apresenta problemas gramaticais, como ortografia, declinação e conjugação verbal. Contudo, esses pequenos problemas iniciais não tiram o mérito de um belo esforço para a continuidade do uso de lingua, que neste caso, emprestou ao jogo um apelo estético que vai além do campo visual, contribuindo para o surgimento de um novo tipo de jogo eletrônico, que atravessa a barreira do entretenimento e se torna arte.

Torre de biologia: taxonomia

Posted on April 17th, 2009 by by Paulo

O latim e o grego na taxonomia

            Embora o latim seja a língua “oficial” da taxonomia, grande parte dos nomes científicos usados em biologia nao são latinos, mas sim nomes gregos latinizados (ou não). A própria palavra ‘taxonomia’ advém do grego. Sendo assim, as palavras ‘zoologia, ecologia, parasitologia, biologia, plancton, Chorophyta, Basidiomycota, nomes científicos em geral e inúmeras outras palavras usadas em biologia têm origem grega. Há ainda as palavras com origem dupla, ou seja, uma mesma palavra traz radicais gregos e latinos. Além do grego, emprega-se palavras de qualquer outra língua. Sendo assim, em taxonomia são produzidas palavras curiosas, que simplesmente nunca existiram e que se prestam ao papel de dar nome a espécies e grupos de seres vivos. Exemplos não faltam: Cattleya labiata (do inglês Cattley – nome próprio + labiata do latim – que tem lábio); Dendrobium nobile ( do grego Dendron – árvore e bios – vida + nobile do latim – nobre); Amorphophallus titanum ( do grego amorpho – deformado e phallus – pênis + titanum do latim – gigante).

Torre de religião: Judaísmo

Posted on April 13th, 2009 by by Paulo

No pôr-do-sol  da última quarta-feira (08/04), começou no calendário judaico o Pessach (פסח), no qual se baseia a Páscoa cristã. No Pessach é comemorada e relembrada a fulga dos hebreus da escravidão no Egito, onde teriam sido escravos por séculos, segundo a tradição. Após a décima praga que, enviada por deus, assolou o povo egípcio matando seus primogênitos, o faraó decidiu libertar os hebreus. Estes teriam fugido através do deserto e do Mar Vermelho em direção à terra prometida. Durante o Pessach, há um jantar, no qual os presentes devem comer ervas amargas, as quais simbolizam a amargura da escravidão, ler trechos da Torah e lavar as mãos de forma ritual, entre outras coisas.