Anais da ciência ridícula nº 002/10
Os veterinários não páram de me surpreender. Desta vez um grupo formado por seis médicos e veterinários suíços resolveu fazer uma pesquisa completamente inútil. Decidiram avaliar a composição/presença de substâncias químicas no bafo das pombas e galinhas. O estudo buscava gastar o dinheiro que estava sobrando na Universidade de Zürich, digo, buscar formas de se fazer diagnósticos de infecções respiratórias através de análise de gases expirados pelos animais. Depois de várias coletas de material e medidas eles não chegaram a conclusão nenhuma. Verificam concentrações de H2O2, NO e medidas de pH, as quais não levam a conclusão nenhuma, mesmo porque certas substâncias poderiam ter se formado fora dos animais. Comparam os dados obtidos com valores de mamíferos e mais uma vez não chegam a conclusão nenhuma. Afirmam que certas diferenças foram significativas sem a aplicação de qualquer teste estatístico. E o pior de tudo: simplesmente nao pesquisam as possiveis diferenças que seriam encontradas entre animais doentes e sadios, o que serviria como parâmetro para diagnóstico de doença. Sem contar que mataram um pombo na anestesia… Além do mais não levaram em conta a presença de piolhos e ácaros presentes às centenas nas penas e pele dos animais, os quais também respiravam e fatalmente interfeririam nos resultados obtidos, além de evaporação de gases na pele e penas, pois todo o ar da caixa de acrílico que continha os animais foi coletado. E mais uma pergunta que fica sem resposta: como conseguiram publicar isto numa revista indexada? Impressionante! Caso alguém duvide da existência de tal artigo:
Hatt, JM et al. 2009. Collection and analysis of breath and breath condensate exhaled by feral pigeons (Columba livia) and chickens (Gallus domesticus). Veterinary record 165, 469-473.
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