Torre de Filosofia: Nietzsche, o Anticristo
Por ocasião do término da leitura de ‘O Anticristo’ (Der Antichrist) refleti um pouco sobre as idéias ali contidas. Mesmo numa leitura pouco atenta é possível notar facilmente o principal objetivo do autor: combater o cristianismo. E tal função é executada de forma agressiva. O ataque ao cristianismo executado por Nietzsche pretende não só combatê-lo, mas também zombar dele, desmoralizá-lo. E este processo se dá pela contraposição do cristianismo aos aspectos mais naturais, até fisiológicos da vida. Para Nietzsche, o cristianismo é a religião que tem como principal objetivo combater toda a coisa natural, pois transforma em pecado necessidades e prazeres da vida. O texto do filósofo deixa transparecer sua idéia da doutrina cristã como um constructus. Devo discordar. Creio ter toda religião vida própria. Digamos que a religião evolui, não é construída. Ela muda ao longo do tempo, se adaptando a novos ambientes, isso é, a cabeça das pessoas. E, para Nietzsche, o grande vilão e arquiteto dessa doutrina cristã construída para deteriorar o homem é Paulo. Com Paulo, o cristianismo original foi alterado e desfigurado até se tornar a religião que se conhece hoje. Outro aspecto interessante da leitura do texto é notar que o filósofo conhece a teoria da evolução, embora em nenhum momento cite Darwin. Mas conhece a teoria de forma suavemente equivocada. Para Nietzsche, ‘evoluir’ é sinônimo de ‘melhorar’, ‘tornar-se mais forte’. Engana-se. A teoria da evolução, tal como postulada por Darwin significa ‘mudar’, ‘adaptar-se’, o que não significa necessariamente tornar-se ‘melhor’ ou ‘mais forte’. Equívocos à parte, ele tem razão, pois atribui o filósofo ao cristianismo a seleção do ‘mais fraco’, de indivíduos ‘fracos’, ‘ineptos’, ‘inferiores’, pois prega uma ‘igualdade’ ilusória entre os homens e ajuda e favorece os mais pobres (inferiores) e condena o que haveria de mais nobre no ‘homem’, como a bravura, a razão, a cultura indo-européia. No final, tenta Nietzsche resgatar o que ele chama de cultura ‘ariana’, representada pela sociedade indiana e seu código de Manu. Embora o autor use o termo ‘ariano’, eu preferiria ‘indo-europeu’. Não indo-europeu só como grupo lingüístico, mas como conjunto de religiões (politeístas), linguas e culturas afins, aparentadas. O cristianismo não é natural do homem indo-europeu, mas uma seita dissidente do judaísmo semita. Por esse motivo precisa ser combatida… E pode-se dizer, neste caso, que ninguém dá mais valor à sua obra, do que o próprio autor. Pois empresta Nietzsche a seu livro o tom profético e expõe sem pudores sua arrogância, sua ausência total de modéstia, se auto-entitulando o próprio Anticristo, o que torna sua obra ainda mais interessante, na minha opinião. Nietzsche foi, acima de tudo, um homem de coragem. Abaixo ao cristianismo! Celebremos a cultura indo-européia!
Tags: anticristo, cristianismo, Filosofia, Nietzsche.
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Nossa, um anticristo descobriu o outro! Que deus nos ajude… putz, deus não existe! Estamos perdidos!
Ótimo texto, apesar do eurocentrismo! haha Abaixo ao verniz! Parabéns!
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Ciganos são os primeiros e legítimos indo-europeus hahaha
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